terça-feira, 22 de novembro de 2011

QUANTO MENOS CHEIOS DE NÓS MESMOS ESTIVERMOS,

Ao mencionar-se o falar, é preciso mencionar também o ouvir. Quando comecei a ensinar meditação, um colega me disse que a habilidade mais importante para poder ensinar, que deveria ser desenvolvida, era a capacidade de ficar quieto e ouvir. Este foi um grande conselho. Em nossas conversas, em geral estamos tão preocupados em dizer o que desejamos, que na verdade prestamos pouca atenção àquilo que os outros estão tentando dizer. É como se nós estivéssemos apenas esperando que eles parassem um instante de falar para podermos dizer aquilo que já estava em nossa mente; nossas agendas preconcebidas interferem em qualquer diálogo verdadeiro.
Quando você praticar a Fala Correta, tente se manter aberto, quieto e consciente do que os outros estão sentindo e dizendo. Você consegue ouvir quando o outro está feliz, triste, deprimido ou confuso? Quando nos tornamos mais atentos e mais perceptivos, descobrimos as alegrias de ouvir, e abandonamos nossa necessidade de viver irradiando como uma estação radiofônica. Eu costumo chamar isso de abertura do terceiro ouvido, o ouvido interno que realmente é capaz de ouvir. Se formos suficientemente sensíveis e alertas, podemos escutar com todos os sentidos.
Nós todos já conhecemos alguém que é aparentemente incapaz de escutar, alguém cujo ego é tão dominador que ele ou ela não conseguem parar de falar- uma pessoa que usa as palavras para dominar e controlar, como um político fazendo discursos. Um falastrão que consome todo o oxigênio do ambiente onde está.
Ou então uma pessoa cujos comentários mal-educados, inoportunos ou provocadores invadem constantemente o espaço alheio. Esta é simplesmente a “Estação Ego” irradiando, bem alto, e com pouca clareza.
A consciência que é semelhante a um espelho reflete as coisas exatamente como são, sem distorção, colorido nem expectativa. O verdadeiro escutar é uma forma de parar e estar disponível, de forma que aquilo que está sendo dito se torne imediatamente aparente, como qualquer outro movimento do campo energético interior ou exterior. Este é um aspecto do desenvolvimento da percepção. É uma habilidade que os bons psicoterapeutas usam para refletir claramente, sem distorção nem interferência, o material que surgiu em uma sessão de terapia, para que o cliente possa conhecer melhor a si mesmo, e assim descobrir o que quer e o que precisa. Freud chamou a isso de atenção flutuante ou suspensa, porque implica em simplesmente estar presente, sem julgamentos nem idéias preconcebidas.
Você é capaz de ouvir o que está nas entrelinhas? Pode sentir de onde as palavras estão vindo, e não apenas ouvir as palavras? Pode perceber e sentir o que o outro sente, enquanto está falando? As boas cercas fazem os bons vizinhos, mas os bons ouvintes fazem bons amigos. Nós podemos aprender a ouvir qualquer coisa que esteja sendo dita no momento presente. Simplesmente sintonize em uma faixa de onda mais ampla e receba mais canais e mais estações. Sintonize-se. (LAMA SURYA DAS – O Despertar do Buda Interior)

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