..." Neste momento em que o alvorecer de um novo milênio desponta no horizonte da humanidade..brota um sonho, com um ser humano a caminho da realizaçao de sua completitude, no coraçao de uma totalidade viva e pulsante que tudo envolve e interliga. É um espaço inspiracional e fecundo de cuidado, onde uma humanidade pode ser gestada, reconciliada em suas dimensões de corpo, alma e consciência, atravessada pelo Mistério da vida.
Trata-se de cuidar do SEr, no exercício de uma arte de escuta e encontro que abriga o mais concreto e sutil, o mais profano e mais sagrado, na direçao fecunda da matéria com a luz, da análise com a sintese, da exitência com a essência....
../Como facilitadores da saúde, nas esferas integradas de uma ecologia individual, social e ambiental. Aplicados no estudo da filosofia e terapias perenes, na responsabilidade de cuidar, cuidando-se, de escutar, escutando-se. Compartilhando uma busca permanente de renovação e reciclagem, e uma prática meditativa no cotidiano, para a essencial escuta do instante, a partir da matriz generativa do silêncio. No testemunhode uma alteridade vinculada a consciência de não-separatividade, homens e mulheres marcham na aventura evolutiva do caminho, abertos e atentos ao toque luminoso da presença.
.. O ser humano é aquele que habita o reino das polaridades. Do embate inevitável e arduo dos opostos, surge o atrito criativo que pode nos despertar para o processo de integraçao.
Para Jean-Yves Leloup, tudo é dança de absurdo com a graça. Quando somos capazes de integrar o peso com a leveza do existir, os Budas sorriem, as pedras florescem. Com uma maestria que reflete a alinaça do cientista da psique com o sacerdote dos abismos da alma e o incansável Peregrino dos desertos com o coraçao, Leloup segue nos oferecendo a inspiraçao que nasce da vastidão de sua humanidade, convidando-nos a mergulhar no oceano da consciência não-dual, a morrer no coraçao do Dom da Vida.
Lembra o poema de Tereza de Ávila:
Vivo sem viver em Mim
e tão alta vida espero
Que morro por não morrer.
Roberto Crema
SOBRE O VIVER, MORRER E SER.
Jean- Yves Leloup
..." Como nos lembram os físícos, este mundo não é o unico mundo, é um determinado cumprimento de onda. Existem outros níveis de consciência, outros planos do ser e, algumas vezes, temos tendência a nos identificarmos com esse mundo material. Entretanto, quanto mais observarmos a matéria mais descobrimos que esta matéria é energia, mais descobrimos que energia é pensamento. E o pensamento, o que é?
Aquilo que chamamos de real, não é o real, mas a nossa percepçao dele. O que nós descrevemos são os limites dos nossos instrumentos de conhecimento. No momento da morte descobrimos que o real não é somente o que percebemos dele, o que nossos olhos viram dele, mas muito mais que isso.
...Nas tradiçoes antigas fala-se da morte como a entrada no repouso, o repouso do mental, o repouso das emoções e dos instintos. Este repouso nós podemos experimenta-lo em momentos de prece ou de meditação quando no SOPRO do nosso SOPRO,ouvimos a presença do silêncio. Aquele silêncio de onde a palavra se origina e para onde ela volta. Aquele silêncio de onde vem o pensamento e para onde ele volta. O silêncio de onde vem a vida e para onde ela retorna.
...Acostumemo-nos a alguns instantes de diários de silêncio, ficando cada um em uma atitude de tranquilidade e de repouso. Entremos na consciência do nosso sopro. A cada instante expiro...Expiro profundamente, conscientemente e não terei medo deste espaço silencioso no final de cada expiraçao. Entre a inspiraçao e a exp. há também um momento extremamente precioso, onde o pensamento não entra. Um momento de silêncio e é deste silêncio que nasce a exp.. Aproximemo-nos deste espaço, sem forçar nada, expiremos docimente, permaneçamos neste fim de exp. e deixemos vir a insp. De acordo com o ritmo de cada um.
E deixemos que o SOPRO nos conduza para um silêncio mais simples, para uma presença mais pura. Permaneçamos nesta presença alguns minutos, para o nosso bem-estar e para o bem-estar de todos.






